Roteiros: Salar de Uyuni, Bolívia - roteiro de 4 dias e 3 noites - parte 2

Jantar no hotel de sal
Jantamos e dormimos no hotel de sal. A comida, como sempre, simples mas gostosa. Paguei 10 bolivianos para tomar banho (cerca de 2 dólares). O banho era quente e valeu a pena. Como se está no meio do deserto, a energia é racionada e não se pode usar secador de cabelo. Não que eu tenha tentado, mas outras tentaram, então vale a pena avisar. Eu estava morta e sem meu tripé (esqueci na van no caminho para a fronteira entre Chile e Bolívia), então nem pensei em acordar de madrugada para fotografar o céu, mas quem fez isso não se arrependeu. As fotos ficam lindas! A noite no hotel de sal foi a melhor dessa viagem, sem dúvida. Tinha coberta suficiente e até passamos calor dentro do saco de dormir (consegui dormir com uma calça e uma blusa, apenas). Os quartos normalmente tem 2 camas de solteiro. Alguns tem 4. Os banheiros são coletivos e nesse caso, homens e mulheres eram separados apenas pelo lado do banheiro. Papel higiênico é algo que não existe por lá, então sempre leve o seu.




No dia seguinte acordamos antes do sol raiar para ver isso acontecer no meio do salar, na Isla del Pescado. Há centenas de ilhas no salar, que são morros com cactus. Esse é o mais famoso de todos e foi onde tomamos o café da manhã. Ver o sol nascer naquela imensidão branca foi incrível. Você pode pagar uma taxa para subir o morro e ver o salar lá de cima (não é muito alto). Não fizemos isso.

Preferimos contornar a ilha à pé, o que deve levar uns 20-30 minutos direto. Nós paramos várias vezes para tirar fotos e apreciar a vista, então levamos uns 50 minutos. Depois do café seguimos pelo meio do deserto de sal até o hotel de sal que fica lá no meio. Foi o primeiro a ser construído, mas hoje está desativado.
Pode-se entrar e conhecer. É lá que tem aquele famoso monumento com diversas bandeiras do mundo, o que é bem contrastante no meio do branco (off white, eu diria...é meio amarelado). Lá também é um ponto de apoio para o Rally Dakar, que nessa parte da Bolívia é muito importante para o turismo local. Tudo parece girar em torno desse evento.



Seguimos para Uyuni e eu já estava dormindo no carro quando o motorista pergunta: "Fotos locas?" eu acordei imediamente e disse: "Si, claro!" Eu havia visto várias poses e tido muitas ideias para fotos em perspectiva e o motorista foi o fotógrafo do nosso grupo. Ele foi super paciente e as fotos ficaram sensacionais. Amamos o resultado!

De lá seguimos para um povoado boliviano onde tem uma micro feira, porém com diversos artigos de artesanato andino bem legais e mais baratos que no Chile. Havíamos levando muito pouco dinheiro boliviano e por isso, só conseguimos comprar uma blusa de lã de llama para mim bem bonita (90,00 bolivianos =  uns 14 dólares). Recomendaria levar uns 250 bolivianos por pessoa, se estiver pensando em comprar souvenirs.
De agora em diate, começa o relato da parte chata da viagem. Quando chegamos a Uyuni, nos levaram a um cemitério de trens que nós odiamos. Um lugar muito esquisito, ceio de trens abandonados, mas não achamos graça e achamos fedido. De lá, nos levaram a um "hotel" onde seria a nossa base até voltarmos a San Pedro. O motorista nos deixou lá umas 11:30 da manhã. Fomos recepcionados por uma funcionária da Colque Tours de Uyuni que nos fez esperar nesse local até o meio dia para nos levar para almoçar. O almoço (refeição incluída no pacote) foi num restaurante bem simples e a comida era estranha. Serviram banha de porco empanada! E não tínhamos mais dinheiro boliviano e nem chileno pra trocar. Após o almoço demos uma volta na cidade que é pequena, feia e não tem praticamente nada pra ver. Levamos no máximo uma hora para fazer isso. O "hotel", na verdade, não funcionava. Ficamos em 8 pessoas dentro de uma sala com sofás super desconfortáveis, banheiro sujo, até às 18 horas, sem saber que horas iriam nos levar de volta para San Pedro. Começamos a pressionar a moça da agência, pois aquilo era meio absurdo. Se tivéssemos voltado após o almoço, já estaríamos chegando na fronteira do Chile. Mas não é assim que a coisa funciona. Não tínhamos nem garantia que teríamos motorista para nos levar naquele dia e corríamos o risco de voltar no dia seguinte. Perto das 20 horas arranjaram um motorista para nos levar de volta. Viajamos cerca de 4 horas até a cidade onde havíamos almoçado no dia anterior, onde o banheiro era impossível de usar. Imagina à noite, sem luz!

Águas termais
A sorte é que tínhamos lanternas (indispensáveis!!!). Dormimos pouco e mal. Passei frio nessa noite. No dia seguinte acordamos às 4 horas da manhã e seguimos para a fronteira. No caminho paramos nas mesmas águas termais da ida. Mas dessa vez estava fazendo um sol lindo e resolvemos enfrentar a friaca e entrar na água. Foi ótimo! A água estava bem quentinha, o frio passou e conseguimos seguir a viagem mais tranquilos. O motorista, Elvis, era um barato e ele salvou a gente de ficar de mau humor. Ele havia nos prometido que mostraria pés de quinoa, mas se esqueceu.
Quando chegamos na saída do parque Eduardo Alvaroa, onde tomamos café da manhã, o dia estava lindo e a Laguna Verde nós não tínhamos conseguido apreciar na ida pelo mau tempo. Negociamos então uma visita a lagoa em troca do esquecimento dele de nos mostrar a quinoa. Ele topou! Mas tinha que ser bem rápido, pois eles tem que cumprir horário.
Valeu muito a pena! Estava incrivelmente bonito e fizemos uma das fotos mais lindas da viagem.

Laguna Verde

Finalmente chegamos à fronteira, onde pegamos um ônibus em direção a SPA. O dia ainda estava só começando...



Dando a volta na Isla del Pescado


Café da manhã na Isla








Nosso grupo

Primeiro motorista: Abraan







Deserto de Dali


Fim da viagem com segundo motorista: Elvvis

Comentários

  1. Oi Mariana. Você levou dólares para o atacama e Uyuni? Onde você fez o câmbio de pesos chilenos e de bolivianos? Obrigado.

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    1. Levamos dólares e reais. Fiz o câmbio em Santiago da maior parte do dinheiro na rua Agustinas, onde ficam a maioria das casas. Trocamos dolares por pesos bolivianos em San Pedro mesmo. Levamos só o recomendado pela Colque Tours, mas devia ter levado mais. Tudo é bem mais barato na Bolívia, então para comprar roupas de frio e lembrancinhas, é melhor lá.

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  2. Muito top seu blog! gostei demais.
    Estou indo com a minha namorada e minha cunhada! rs! Vocês gastaram 4 dias e 3 noites contando com deslocamento da volta né (Uyuni para SPA)? Estou pensando em fazer em 3 dias e duas noites, o que você acha? Obrigado

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    1. Desculpa a demora... espero que ainda não tenha viajado. Sim, o tempo que gastamos é contando com deslocamento porque boa parte do que se vê de mais bonito está no deslocamento. Acho 3 dias e duas noites bem melhor, porque realmente ficamos muito tempo ociosos, especialmente no último dia.

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